Sexta-feira, 15 de Setembro de 2017

A CONTRACAPA DE «O NOME DOS POEMAS»

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 Dois dos nomes destes poemas. Espero que gostem! (Não ficou na foto a barrinha em baixo. Paciência!)

publicado por sarrabal às 22:47
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O MEU NOVO LIVRO «O NOME DOS POEMAS»

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 Reune 53 «retratos poéticos» de figuras públicas consagradas, das artes e das letras. Iclui um depoimento inédito de Amália Rodrigues. Estará nas livrarias nos finais de Outubro, inícios de Novembro.

publicado por sarrabal às 22:40
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A VOZ DO VENTO CHAMA PELO TEU NOME

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Se algum dia chegasse a libertar-me

Deste laço a tornar-me prisioneira

Voltaria de certeza a enlear-me

No teu braço que me traz nesta cegueira.

 

Tão certa do que digo e do que faço

Espero por ti parada frente ao tempo

Como um retrato antigo de menina

Com um bouquet de rosas no regaço.

 

Sem esperança de esquecer-te

E de encontrar-me

Meu coração aos pés

Da tua imagem

Sou a pedra que mora sob o rio

Mas com ele não parte de viagem.

 

E quando o dia morre na voragem

Das horas que se apressam sem retorno

Acendem-se as estrelas na paisagem

E a voz do vento chama pelo teu nome.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro «O Tempo (En)cantado»

 

publicado por sarrabal às 22:35
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Domingo, 3 de Setembro de 2017

ALGUMA COISA ACONTECE

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Se o dia vier ao Mundo

Em que o gelo nos aqueça

E o Sol no céu arrefeça

O calor das nossas veias

Esse será o sinal;

Decerto que a nosso lado

Alguma coisa acontece.

 

E se o riso

Que ontem vinha

Alegrar a nossa face

Morre aos poucos

Esmorece.

 

Nesse dia pedirei

A quem tiver

Por dentro de cada dia

Nada ter

A força que tem o vento

Que atravessa o pensamento

E liberta a nossa voz.

 

Nesse dia pedirei

À pressa que tem a vida

Que modere essa corrida

Da nascente até à foz.

 

E se ao longe há um veleiro

Que se perde atrás do mar

Que se afunda em nosso olhar

Onde a água é nevoeiro.

 

Chamarei

Companheiro desta dor

E da raiva cada vez maior

Aperta na minha mão

O que a tristeza juntou.

 

Na estrada que percorremos

A desdita é coisa pouca

Comparada ao que sobrou.

 

Nesse dia pedirei

A quem tiver

Por dentro de cada dia

O amor.

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 16:45
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Domingo, 27 de Agosto de 2017

HISTORINHA - A TOUPEIRA E O GRILO (Para os mais pequenos)

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― Está tão abafada a tarde! – queixa-se a toutinegra, penas cor de fogo, empoleirada num ramo do pessegueiro. 
― O mais certo é vir por aí forte trovoada. No Verão é assim: chuva e trovoada quando menos se espera! – resmunga a toupeira, olhinhos piscos, cabeça fora do buraco, a remover detritos e entulho, num asseio.
― Para si é capaz de ser uma maçada, não, senhora Toupeira? Como vive debaixo do chão… – arrisca a toutinegra.
― Oh!, não, está enganada. A chuva no Verão não incomoda os bichos como eu. A terra está quente e seca e a água depressa evapora.
― E eu a julgar que ficava com a casa inundada! – cacareja a galinha-pedrês.
― Isso acontece no Inverno, quando a água corre que parece um ribeiro nas câmaras e nas galerias que escavo. Nessas ocasiões, redobra o meu trabalho. Com as minhas unhas afiadas, abro logo outras, mais acima, onde me abrigo.
― Coitada! Que grande perigo! Tem de ter cuidado… – aconselha a pedrês.
― Cuidado tenho, em procurar no Inverno os sítios abrigados e secos, nas encostas, e não nas zonas baixas e alagadas. Agora no Verão, como não vejo quase nada, se estiver fora do buraco, à noitinha, e não der depressa com ele, o mais que me pode acontecer, se começa a chover, é apanhar um banho! – exclama a toupeira, divertida.
― O que seria um inconveniente! – comenta a toutinegra.
― Ou uma vantagem. – contrapõe a galinha-pedrês.
O grilo, vindo do seu passeio, dá um salto e aquieta-se sobre uma pedra.
― Vantagens e inconvenientes fazem lembrar a dona Toupeira em pessoa! – diz, intrometido, o insecto saltador.
― Ora essa! – abespinha-se a toupeira, num amuo – Que eu saiba, a conversa não é consigo, ó senhor Grilo!
― Mas passa a ser agora, se me dá licença! – grigrila o grilo grilão, todo aprumado no seu fato preto.
― Nesse caso, queira explicar-se, porque eu não gosto de graças. – respinga a toupeira, virando na direcção do grilo os bigodes, que lhe fornecem a orientação e todas as informações que os olhos não lhe podem dar.
A galinha-pedrês põe a crista à banda, atenta à explicação. A toutinegra pula para um ramo mais baixo, ouvido à escuta.
― É simples. – esclarece o grilo – O trabalho aqui da dona Toupeira é de toda a utilidade, porque destrói as larvas, as lesmas, os insectos nocivos…
― Olha a novidade! – interrompe a toupeira, a fungar de troça.
― Pois é – continua o grilo –, mas em contrapartida, como vive debaixo da terra, entretém-se a roer as raízes das árvores e das plantas, o que se torna num grande inconveniente. Principalmente, nesta altura do ano, quando se muda para os pomares e para as hortas, à procura de terrenos macios!
― Isso é verdade! – comentam, entre si, a toutinegra e a galinha-pedrês, olhando a companheira de soslaio.
― Mas não é por mal! – defende-se a toupeira, focinhito a disfarçar, num montinho de terra. – Preciso de escavar as minhas galerias à procura de alimento: larvas, minhocas, bichos-de-conta, formigas…
E logo o grilo, trocista, asinhas levantadas:
― Já se vê que não é por mal, dona Toupeira. Afinal, não há ninguém perfeito!
A toutinegra e a galinha-pedrês voltam a estar de acordo:
― Isso é verdade! – repetem as duas, muito bem ensaiadas.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro «Histórias que o Verão me Contou»
Ed. Publicações Europa-América

publicado por sarrabal às 23:48
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Quarta-feira, 2 de Agosto de 2017

CALENDÁRIO - AGOSTO

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Aprende

O verde da rã

A margem do riacho.

 

As abóboras

Assomam

Ao bordo dos telhados

Viajam as raposas

A senda dos trigais.

 

A sede

Das roseiras

Demora-se em Agosto.

 

Repetem-se nos figos

As asas dos pardais.

 

Soledade Martinho Costa

 

publicado por sarrabal às 00:58
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Domingo, 23 de Julho de 2017

LEMBRAR AMÁLIA

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                                                    23 DE JULHO DE 1920

publicado por sarrabal às 16:51
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PARABÉNS SARRABAL - E VÃO 10 ANOS!

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Sem eu quase dar por isso, passaram 10 anos sobre a primeira publicação do meu blog (sarrabal.blogs.sapo.pt). Iniciei-o no dia 23 de Julho de 2007, há uma década, portanto. Primeiro foi uma moda. Muitos dos blogs dessa altura, e alguns muito bons, foram ficando pelo caminho. Outros prosseguiram como o Sarrabal. Sem se arredar dos temas literários, tem seguido o seu percurso. Com esperança de continuar. Sem contador vai para 4 anos, para verificar o número de visitas e de páginas lidas, só há dias o mandei instalar de novo. É certo que perdi a contagem, mas verifiquei que não perdi os leitores. Por isso aqui estou, para agradecer a sua presença e desejar que o Sarrabal continue a merecer a vossa estima e atenção. Os comentários que podiam ser vistos logo abaixo dos posts, passaram agora a ser lidos e respondidos, não directamente no blog, mas numa das páginas do «Sapo Bloogs», o que torna as coisas mais complicadas para quem deseja comentar. Como tenho fácil acesso, verifico que continuo a ter leitores, quer de todos os pontos do país, quer do estrangeiro – e comentários também. É um incentivo, sem dúvida! Como todas as modas, muitos dos bloguistas passaram para as redes sociais, como o Facebook, por exemplo. Mais uma vez agradeço a presença dos meus leitores, antigos e recentes, fazendo votos para que nos reencontremos de novo por aqui no próximo ano. Saúde e felicidades para todos. E, já agora, uma fatia de bolo, para comemorar mais este aniversário!

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 01:39
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Segunda-feira, 10 de Julho de 2017

CERTEZA

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Que horas são?

É tarde

Tão tarde já

E vou

Mas fico

A pensar no dia de amanhã.

 

Quantos dias virão

Sim, quantos mais?

Quantas vezes o Sol nascerá

Nos meus olhos ainda adormecidos?

 

Chegarão as horas

As manhãs?

E as noites

As noites para sonhar

Quantas serão?

 

E um medo vagabundo

Uma ansiedade

Uma vontade de parar o tempo

Despertam então em mim

Como alvorada

A certeza quase espanto

Quase assombro

Que há horas de partida e de chegada.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro “A Palavra Nua”

Tela: «Meditação», Rembrandt 

publicado por sarrabal às 00:27
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Sexta-feira, 23 de Junho de 2017

SÃO JOÃO - O SOL E AS PLANTAS - RITUAIS

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A virtude das plantas, dos frutos e das flores encontra-se associada ao culto de São João, sempre à meia-noite, de madrugada ou ao meio-dia do dia 24 de Junho. Este princípio leva os habitantes do Barroso (Beira Litoral) a colocarem, ainda hoje, ramos de sabugueiro nos buracos das fechaduras «para não entrarem as bruxas que andam à solta durante a noite».

Do grupo das plantas consideradas mágicas destacam-se, entre outras, o rosmaninho, o alho-porro, o alecrim, o funcho, o trevo, a macela, a cidreira, o poejo, a sálvia, a dedaleira, a erva-pinheira, a arruda, o loureiro, o manjerico e a alcachofra – algumas a juntarem-se às fogueiras para servir de defumadouros com fins de esconjuro ou profilácticos.

Por vezes, em certas localidades, e de acordo com a crença popular, continuam a guardar-se as plantas que receberam o orvalho milagroso, com o fim de «livrar do mau-olhado». Crê-se também que o alecrim, o rosmaninho, o funcho e o sabugueiro, colhidos com o orvalho bento, «preservam as habitações do raio»; que o trevo de quatro folhas e a arruda, apanhados à meia-noite, servem como talismã; que o alho-porro «afasta as entidades nocivas» e a erva-cidreira, colhida na noite de São João, tem o poder de «curar os feitiços». 

Mais complicada é (ou era) a prática relacionada com o azevinho-do-monte, que deve ser borrifado com vinho e levado para casa depois da meia-noite da véspera de São João «para trazer a fortuna». No norte davam-se três voltas ao redor da planta antes de a colher, e, com o ramo apanhado, visitavam-se três igrejas com nomes de santas, batendo com o ramo nos degraus de acesso ao templo. Seguia-se uma ida à beira-mar para apanhar três ondas, sempre com o azevinho na mão, guardando-o depois durante todo o ano. Se o dinheiro não aparecia, pelo menos, aproveitavam-se os tronquinhos do ramo para queimar quando trovejava.

Em Roriz (Minho) havia o costume de ir saudar e colher o azevinho «para comprar barato e vender caro», dizendo: «Meu azevinho novo/Aqui te venho colher/Para que me dês fortuna/No comprar e no vender/E em todos os negócios em que eu me meter». Para que a magia resulte, as plantas devem ser colhidas «antes que o Sol as toque e faça desaparecer o orvalho da noite».

O manjerico é a planta que mais aparece nas grandes cidades, constituindo um presente que se oferece às pessoas amigas, enquanto a alcachofra – símbolo da ressurreição da Natureza – foi, noutros tempos, a mais utilizada pelas raparigas em práticas e «sortes» divinatórias. Chamuscada nas fogueiras de São João, à meia-noite em ponto, se reflorisse, indicava «que se era correspondida nos amores».
A fava, a amêndoa, a cereja e certas flores, como as rosas, os cravos e os malmequeres, eram, igualmente, utilizadas nesta data para «sortes» e adivinhações.

O culto das flores e das plantas reporta-se à Antiguidade, quando se coroavam com flores ou folhas de loureiro, de carvalho ou de oliveira as estátuas dos deuses, os poetas, os heróis e também os mortos. Nas festas e nos banquetes as pessoas apresentavam-se coroadas, conferindo os Romanos, a título de recompensa, coroas de folhagem (as coroas de louro) para simbolizar o poder, a sabedoria e a coragem.

Soledade Martinho Costa

Do livro «Festas e Tradições Portuguesas», Vol. VI
Ed. Círculo de Leitores 

publicado por sarrabal às 00:38
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