Sábado, 17 de Setembro de 2016

POETAS

1016262_567101059998501_2031421348_n.jpg

 

Quer se tenha ou não

Condão e jeito

A todos louvo.

 

Num verso ou num poema

Despe-se a alma

Por gosto e por direito.

 

Se a poesia é o pão

Que mata a nossa fome

A febre que se sente e nos consome

É dizer que a palavra é o sustento

É a frescura que veste o nosso corpo

E o espelho onde se lê o pensamento.

 

Ser poeta é procurar no sonho a perfeição

Olhar, com olhos de ver, a realidade

E transformá-la em denúncia, revelá-la

A bem da justiça e da verdade.

 

Ser poeta é desnudar-se no poema

É este modo de nascer assim

Sem se chegar a adivinhar porquê

É respirar e morrer neste segredo

Neste reduto perfeito ou imperfeito

Neste casulo que envolve a nossa mão.

 

É ser a voz dos outros

Dizer o que outros calam

É ser a arma, o fogo, a força da razão

Desafio, desejo, desabafo

Por vezes berço, telha, tecto, casa

Saudade, mágoa, temor ou ilusão

Mas ter nos olhos o voo de uma asa

Que se desenha no azul do céu.

 

É ser o vento que sopra a nossa fala

O rio que leva no seu leito

O amor, um sorriso, a nostalgia, um beijo

A revolta, a renúncia ou um desejo.

 

Ser poeta           

É saber as mil e uma coisas que nos fazem

Ver um caminho diferente em nossa estrada

É olhar bem no fundo das palavras

E torná-las com o brilho das estrelas

O fio de uma espada.

 

É respirar a certeza que sentimos

De voltar à vida se morremos

Ao escrever um poema ou um só verso.

 

Neste dilema discorde e controverso

Salva-nos a vontade em que vivemos

Não sei se por virtude ou por defeito

De sermos os donos da palavra

Com a Primavera a florir em cada peito.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro a publicar «Um Piano ao Fim da Tarde»

 

publicado por sarrabal às 01:00
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 3 de Setembro de 2016

CALENDÁRIO - SETEMBRO

79700_(www_Gde-Fon_com).jpg

 

Os noitibós

Segredam

O debandar dos trinos.

 

No escuro das adegas

Exala o vinho novo

Pressentem as ribeiras

Um destino sem escolhas.

 

Setembro

Nos teares

Abraça-se nos linhos.

 

Enfeita o corpo

A terra

Com um sendal de folhas.

 

 

Soledade Martinho Costa

 

publicado por sarrabal às 01:36
link do post | comentar | favorito
|

FIAR A SOLIDÃO

fiandeira, aboim da nóbrega, vila verde, braga.bm

São a roca

E o fuso

Em tuas mãos

A tecerem o nome

À solidão

Que come o pão

Contigo

À tua mesa.

 

São a roca

E o fuso

Nos teus dedos

A tecerem o linho

Da tristeza.

 

Foram caminhos

Feitos de caruma

Foram rebanhos

Tocados por varinha

Foi a brasa do forno

A cozer broa

Foi o cheiro às estevas

No teu corpo.

 

Já nada se repete

Ou se adivinha

Já nada te consome

Ou te magoa.

 

Fiandeira

Dos dias que te sobram

Olhos postos

Aos pés do abandono.

 

Na tua cama o sono

Rés ao sonho

Sem que o Inverno traga

A Primavera

Quando as cegonhas partem

No Outono.

 

Soledade Martinho Costa

 

publicado por sarrabal às 01:30
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 20 de Agosto de 2016

CALENDÁRIO - AGOSTO

6953rosas.jpg

 

Aprende

O verde da rã

A margem do riacho.

 

As abóboras

Assomam

Ao bordo dos telhados

Viajam as raposas

A senda dos trigais.

 

A sede

Das roseiras

Demora-se em Agosto.

 

Repetem-se nos figos

As asas dos pardais.

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 18:37
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 15 de Agosto de 2016

15 DE AGOSTO - «DORMIÇÃO» DA VIRGEM MARIA

Detalhe-Madona-Botticelli.jpg

São muitas as vezes em que nos interrogamos sobre a razão das datas em que recaem feriados, principalmente nacionais. Aqui fica a explicação para o dia de hoje, 15 de Agosto, que celebra a Morte da Virgem Maria (ou a Assunção de Maria), a que se dá o nome de dormição. Embora não existindo registos históricos sobre a sua morte, desde os primeiros séculos utilizou-se a palavra dormição (dormitio). A partir do século VIII o termo foi substituído por Assunção. Maria terá ressuscitado e subido aos Céus por graça e privilégio concedidos à Mãe de Deus.

A Morte da Virgem Maria tem o nome de dormição, uma vez que o seu falecimento não é considerado uma ocorrência triste ou dolorosa. Desde a morte do Amado Filho, que ansiava o reencontro com Aquele que deu à Luz, a quem conduziu enquanto Menino e cuja Paixão, Calvário e Morte prematura lhe causaram a mais pungente dor e agonia. O sofrimento deixara-lhe marcas profundíssimas. Teria cinquenta anos quando Cristo subiu aos Céus e pouco mais de sessenta quando ocorreu a sua dormição.

Depois da Ascensão de seu Filho, junta-se aos apóstolos no Cenáculo, enquanto continua a apontar-se como sua morada nos últimos anos de vida a cidade de Jerusalém. Como disseram São Bernardo e São Francisco de Sales, «estava doente de amor e de saudades». Dela escreveram os dois santos: «…morte que mesmo os anjos desejariam se fossem capazes de morrer».

O ano da sua morte terá sido, supostamente, antes da dispersão dos apóstolos, situando a tradição antiga, quer escrita quer arqueológica, o seu falecimento no monte Sião, na mesma casa em que Jesus celebrou os Mistérios da Eucaristia e onde se deu a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos. A casa foi chamada a primeira Igreja de Santa Maria do Monte Sião. Hoje, numa parte da área que a basílica constantinopolitana ocupou, ergue-se a Igreja da Dormição, consagrada em 1910, que se avista de todos os pontos de Jerusalém. O local, rodeado de vários cemitérios (católico, grego, arménio e protestante anglicano), é escolhido pelos fiéis de todas as congregações cristãs, que buscam ali a sua última morada na Terra.

Desde tempos remotíssimos, que a fé universal da Igreja afirma que a Virgem ressuscitou como seu Filho e como Ele não permaneceu na Terra, erguida aos Céus à semelhança da graça e privilégios que lhe foram concedidos «antes do parto, no parto e depois do parto», como Mãe de Deus. Ou seja, «que a Imaculada Sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assumpta em corpo e alma à Glória Celestial».


Soledade Martinho Costa

 

Do livro "Festas e Tradições Portuguesas", Vol. VI

Ed. Círculo de Leitores

Pormenor de «A Coroação da Madona» - Botticelli 

 

publicado por sarrabal às 21:08
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 13 de Agosto de 2016

INCENDIÁRIOS, FOGOS E FUMO - MUITO FUMO

incendios.jpg

Estávamos em 2014, no governo de Passos Coelho, quando um familiar meu, muito chegado, teve a oportunidade de conversar, no Algarve (como acontece frequentemente), com o pai da ministra da Justiça da altura, Paula Teixeira da Cruz. O assunto versava os incêndios. A pessoa em causa sugeriu, então, uma medida, a seu ver profícua, que consistia na detenção dos incendiários, já identificados como tal, durante os meses de Verão e libertá-los nos meados do Outono. O objectivo principal desta conversa, seria o pai da Senhora ministra levar a sugestão ao conhecimento da filha. Ideia interessante (segundo ele) e fácil de executar, dado os antecedentes dos cadastrados, muitos deles considerados reincidentes. Além de que, três meses de Verão, dariam menor despesa ao Estado, comparativamente a alguns anos de prisão anual por cada um dos incendiários! Fazendo contas: três anos de detenção, por exemplo, somam 36 meses de cadeia a alimentar um energúmeno, enquanto que os meses de Verão são coisa de pouca monta. Isto, se compararmos, ainda, a tranquilidade que dá às populações saber os incendiários atrás das grades nos meses de estio – os seus meses preferidos. Agravar as penas? Para quê? Atrás das grades, nos meses de Verão, não se ateiam fogos nas florestas, não se apavoram as populações, não há pedidos de apoio ao Estado vindas de regiões atingidas pela calamidade das chamas, não há a devastação da Natureza, nem de animais, nem de bens, não há destruição, nem há mortes. A resposta surgiu rápida e breve: mandava dizer a Senhora ministra «que tudo estava já planeado, controlado, organizado. Que nesse ano se havia de ver a diferença relativa a anos anteriores.» E a sugestão por aqui ficou. Estávamos no início de 2014. Passou 2015 e estamos em 2016. Resultados? Estão à vista. O que não está (ou estará?) à vista, é o que a nossa própria vista não alcança, devido às chamas e ao fumo com que nos querem tornar cegos. Agora mudos? Mudos, isso é que não!

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 00:21
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 6 de Agosto de 2016

NÃO POSSO ESTAR MAIS DE ACORDO!

318790_207083512686234_6232108_n.jpg

Nunca fui dada a publicar citações. Mas não posso estar mais de acordo com esta, da autoria de MIA COUTO - um escritor que muito admiro:

 

«O livro deve ser objecto e mercadoria para chegar às nossas mãos. Mas só somos donos desse objecto quando ele deixa de ser objecto e deixa de ser mercadoria. O livro só cumpre o seu destino quando transitamos de leitores para produtores do texto, quando tomamos posse dele como seus co-autores.»

 

(Do livro «E se Obama fosse Africano e outras Interinvenções»

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 16:33
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 23 de Julho de 2016

LEMBRAR AMÁLIA PELA PASSAGEM DO ANIVERSÁRIO DO SEU NASCIMENTO - 23 DE JULHO DE 1920

6ca42bdf55af2ed0398dd0d.jpg

 

NOSSA SENHORA DO FADO

Vestiram-se de luto
As cordas das guitarras
Calou-se a tua voz
Companheira de longas caminhadas.

Nossa Senhora do Carmo
A quem pedias
Que te acompanhasse 
Em cada palco
Chamou-te um dia a si
E tu partiste
Ao encontro de quem por ti chamava.

Ficou o teu perfume no cristal
Aprisionado na distância e na saudade
Entre o silêncio
E o rolar da lágrima 
Como quem espera a vinda sem sinal
De um barco que no mar
Está naufragado.  

Lembrar agora as tuas mãos
Em sobressalto
E a solidão do teu olhar
É mais do que saber de ti
Onde tu moras.

É dizer que as rosas 
Também choram
Quando lhes falta quem as ame.

Recordo a tua sala
Os sons, a luz
O teu retrato, o teu piano
Os objectos dispersos
Em sítios que a memória traz.

Hoje o teu nome
Como o da ave o roçar da asa
Bate diariamente à tua porta.

Sobe os degraus de pedra
E vai procurar-te
Ao lugar onde não estás.

Tu continuas a ser a tua casa.

Soledade Martinho Costa

 

publicado por sarrabal às 19:58
link do post | comentar | favorito
|

E VÃO 9 ANOS! - PARABÉNS SARRABAL!

 

71490_668112036564069_211939994_n.jpg

 

Mais um ano passou. E passou tão depressa! O Sarrabal volta a celebrar outro aniversário. Nove anos já é alguma coisa! E cá estou, a agradecer de novo aos meus leitores, assíduos ou de passagem. O meu obrigada a todos vós. 

Desta vez, não há velas nem bolos. Há flores. É o mais bonito para oferecer-se a um aniversariante. Ou não será? Para o próximo ano, que nos voltemos a encontrar por aqui. O Sarrabal agradece - e eu também!

 

Soledade Martinho Costa

tags:
publicado por sarrabal às 00:22
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 2 de Julho de 2016

CAMÕES

Cam_es 1.jpg

 

Tão mágica clareza

Tão misterioso encanto

Só aos Grandes

Aos Imortais Poetas

O dom de assim escreverem

Lhes concede

O segredo que faz cantar as fontes.

 

Por isso

Tão-somente

O copiar o jeito do teu punho

Ao segurar a caneta com que escrevo

Me tolhe o gesto

Me ruboriza a face

Ao atentar na grandeza do teu canto

E na pobreza dos versos que te faço.

 

Soledade Martinho Costa

Do livro «A Palavra Nua»

publicado por sarrabal às 02:10
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30


.posts recentes

. POETAS

. CALENDÁRIO - SETEMBRO

. FIAR A SOLIDÃO

. CALENDÁRIO - AGOSTO

. 15 DE AGOSTO - «DORMIÇÃO»...

. INCENDIÁRIOS, FOGOS E FUM...

. NÃO POSSO ESTAR MAIS DE A...

. LEMBRAR AMÁLIA PELA PASSA...

. E VÃO 9 ANOS! - PARABÉNS ...

. CAMÕES

. CALENDÁRIO - JULHO

. EXCERTO

. ZÉ CID E OS TRANSMONTANOS...

. A LOUCA

. PÁSCOA/2016

. 21 DE MARÇO - DIA MUNDIAL...

. AL - GARBE

. ESQUECIMENTO

. QUARESMA - TEMPO DE PAUSA

. DIAS GORDOS - CARNAVAL DE...

.arquivos

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

.tags

. todas as tags

.links

.Contador

Site Meter
blogs SAPO