Terça-feira, 23 de Agosto de 2016

cães e feras

é um grande problema

publicado por sarrabal às 20:32
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Sábado, 20 de Agosto de 2016

CALENDÁRIO - AGOSTO

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Aprende

O verde da rã

A margem do riacho.

 

As abóboras

Assomam

Ao bordo dos telhados

Viajam as raposas

A senda dos trigais.

 

A sede

Das roseiras

Demora-se em Agosto.

 

Repetem-se nos figos

As asas dos pardais.

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 18:37
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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2016

15 DE AGOSTO - «DORMIÇÃO» DA VIRGEM MARIA

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São muitas as vezes em que nos interrogamos sobre a razão das datas em que recaem feriados, principalmente nacionais. Aqui fica a explicação para o dia de hoje, 15 de Agosto, que celebra a Morte da Virgem Maria (ou a Assunção de Maria), a que se dá o nome de dormição. Embora não existindo registos históricos sobre a sua morte, desde os primeiros séculos utilizou-se a palavra dormição (dormitio). A partir do século VIII o termo foi substituído por Assunção. Maria terá ressuscitado e subido aos Céus por graça e privilégio concedidos à Mãe de Deus.

A Morte da Virgem Maria tem o nome de dormição, uma vez que o seu falecimento não é considerado uma ocorrência triste ou dolorosa. Desde a morte do Amado Filho, que ansiava o reencontro com Aquele que deu à Luz, a quem conduziu enquanto Menino e cuja Paixão, Calvário e Morte prematura lhe causaram a mais pungente dor e agonia. O sofrimento deixara-lhe marcas profundíssimas. Teria cinquenta anos quando Cristo subiu aos Céus e pouco mais de sessenta quando ocorreu a sua dormição.

Depois da Ascensão de seu Filho, junta-se aos apóstolos no Cenáculo, enquanto continua a apontar-se como sua morada nos últimos anos de vida a cidade de Jerusalém. Como disseram São Bernardo e São Francisco de Sales, «estava doente de amor e de saudades». Dela escreveram os dois santos: «…morte que mesmo os anjos desejariam se fossem capazes de morrer».

O ano da sua morte terá sido, supostamente, antes da dispersão dos apóstolos, situando a tradição antiga, quer escrita quer arqueológica, o seu falecimento no monte Sião, na mesma casa em que Jesus celebrou os Mistérios da Eucaristia e onde se deu a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos. A casa foi chamada a primeira Igreja de Santa Maria do Monte Sião. Hoje, numa parte da área que a basílica constantinopolitana ocupou, ergue-se a Igreja da Dormição, consagrada em 1910, que se avista de todos os pontos de Jerusalém. O local, rodeado de vários cemitérios (católico, grego, arménio e protestante anglicano), é escolhido pelos fiéis de todas as congregações cristãs, que buscam ali a sua última morada na Terra.

Desde tempos remotíssimos, que a fé universal da Igreja afirma que a Virgem ressuscitou como seu Filho e como Ele não permaneceu na Terra, erguida aos Céus à semelhança da graça e privilégios que lhe foram concedidos «antes do parto, no parto e depois do parto», como Mãe de Deus. Ou seja, «que a Imaculada Sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assumpta em corpo e alma à Glória Celestial».


Soledade Martinho Costa

 

Do livro "Festas e Tradições Portuguesas", Vol. VI

Ed. Círculo de Leitores

Pormenor de «A Coroação da Madona» - Botticelli 

 

publicado por sarrabal às 21:08
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Sábado, 13 de Agosto de 2016

INCENDIÁRIOS, FOGOS E FUMO - MUITO FUMO

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Estávamos em 2014, no governo de Passos Coelho, quando um familiar meu, muito chegado, teve a oportunidade de conversar, no Algarve (como acontece frequentemente), com o pai da ministra da Justiça da altura, Paula Teixeira da Cruz. O assunto versava os incêndios. A pessoa em causa sugeriu, então, uma medida, a seu ver profícua, que consistia na detenção dos incendiários, já identificados como tal, durante os meses de Verão e libertá-los nos meados do Outono. O objectivo principal desta conversa, seria o pai da Senhora ministra levar a sugestão ao conhecimento da filha. Ideia interessante (segundo ele) e fácil de executar, dado os antecedentes dos cadastrados, muitos deles considerados reincidentes. Além de que, três meses de Verão, dariam menor despesa ao Estado, comparativamente a alguns anos de prisão anual por cada um dos incendiários! Fazendo contas: três anos de detenção, por exemplo, somam 36 meses de cadeia a alimentar um energúmeno, enquanto que os meses de Verão são coisa de pouca monta. Isto, se compararmos, ainda, a tranquilidade que dá às populações saber os incendiários atrás das grades nos meses de estio – os seus meses preferidos. Agravar as penas? Para quê? Atrás das grades, nos meses de Verão, não se ateiam fogos nas florestas, não se apavoram as populações, não há pedidos de apoio ao Estado vindas de regiões atingidas pela calamidade das chamas, não há a devastação da Natureza, nem de animais, nem de bens, não há destruição, nem há mortes. A resposta surgiu rápida e breve: mandava dizer a Senhora ministra «que tudo estava já planeado, controlado, organizado. Que nesse ano se havia de ver a diferença relativa a anos anteriores.» E a sugestão por aqui ficou. Estávamos no início de 2014. Passou 2015 e estamos em 2016. Resultados? Estão à vista. O que não está (ou estará?) à vista, é o que a nossa própria vista não alcança, devido às chamas e ao fumo com que nos querem tornar cegos. Agora mudos? Mudos, isso é que não!

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 00:21
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Sábado, 6 de Agosto de 2016

NÃO POSSO ESTAR MAIS DE ACORDO!

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Nunca fui dada a publicar citações. Mas não posso estar mais de acordo com esta, da autoria de MIA COUTO - um escritor que muito admiro:

 

«O livro deve ser objecto e mercadoria para chegar às nossas mãos. Mas só somos donos desse objecto quando ele deixa de ser objecto e deixa de ser mercadoria. O livro só cumpre o seu destino quando transitamos de leitores para produtores do texto, quando tomamos posse dele como seus co-autores.»

 

(Do livro «E se Obama fosse Africano e outras Interinvenções»

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 16:33
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Sábado, 23 de Julho de 2016

LEMBRAR AMÁLIA PELA PASSAGEM DO ANIVERSÁRIO DO SEU NASCIMENTO - 23 DE JULHO DE 1920

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NOSSA SENHORA DO FADO

Vestiram-se de luto
As cordas das guitarras
Calou-se a tua voz
Companheira de longas caminhadas.

Nossa Senhora do Carmo
A quem pedias
Que te acompanhasse 
Em cada palco
Chamou-te um dia a si
E tu partiste
Ao encontro de quem por ti chamava.

Ficou o teu perfume no cristal
Aprisionado na distância e na saudade
Entre o silêncio
E o rolar da lágrima 
Como quem espera a vinda sem sinal
De um barco que no mar
Está naufragado.  

Lembrar agora as tuas mãos
Em sobressalto
E a solidão do teu olhar
É mais do que saber de ti
Onde tu moras.

É dizer que as rosas 
Também choram
Quando lhes falta quem as ame.

Recordo a tua sala
Os sons, a luz
O teu retrato, o teu piano
Os objectos dispersos
Em sítios que a memória traz.

Hoje o teu nome
Como o da ave o roçar da asa
Bate diariamente à tua porta.

Sobe os degraus de pedra
E vai procurar-te
Ao lugar onde não estás.

Tu continuas a ser a tua casa.

Soledade Martinho Costa

 

publicado por sarrabal às 19:58
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E VÃO 9 ANOS! - PARABÉNS SARRABAL!

 

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Mais um ano passou. E passou tão depressa! O Sarrabal volta a celebrar outro aniversário. Nove anos já é alguma coisa! E cá estou, a agradecer de novo aos meus leitores, assíduos ou de passagem. O meu obrigada a todos vós. 

Desta vez, não há velas nem bolos. Há flores. É o mais bonito para oferecer-se a um aniversariante. Ou não será? Para o próximo ano, que nos voltemos a encontrar por aqui. O Sarrabal agradece - e eu também!

 

Soledade Martinho Costa

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publicado por sarrabal às 00:22
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Sábado, 2 de Julho de 2016

CAMÕES

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Tão mágica clareza

Tão misterioso encanto

Só aos Grandes

Aos Imortais Poetas

O dom de assim escreverem

Lhes concede

O segredo que faz cantar as fontes.

 

Por isso

Tão-somente

O copiar o jeito do teu punho

Ao segurar a caneta com que escrevo

Me tolhe o gesto

Me ruboriza a face

Ao atentar na grandeza do teu canto

E na pobreza dos versos que te faço.

 

Soledade Martinho Costa

Do livro «A Palavra Nua»

publicado por sarrabal às 02:10
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CALENDÁRIO - JULHO

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Leva a gula

O javali

À horta

E ao pomar.

 

Julho respira aromas

A esteva e alfazema

De branco as camarinhas

São noivas dos pinhais.

 

O Sol

Seduz a terra

Em abraços de chama     

 

Acendem pirilampos

Lanternas de luar.

 

Soledade Martinho Costa

 

publicado por sarrabal às 02:06
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Quarta-feira, 8 de Junho de 2016

EXCERTO

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«Raramente usei relógio. Agora, nem uso. Tenho uma certa aversão às horas. À disciplina das horas. Embora cumpra os meus horários e seja pontual, sempre que necessário. […]. Provavelmente, por ter tido desde a infância, a adolescência e a juventude, a obediência às horas. A subordinação às horas e, portanto, aos relógios. Não gosto de relógios. Porque andamos às suas ordens. São eles que nos comandam, que nos dizem o que não queremos ouvir nem saber, se é tarde, se é cedo, se merece a pena, se (já) não merece, se devemos ir, se devemos ficar, se estamos atrasados ou se nos adiantámos sem ter sido relevante a nossa pressa. Mas, principalmente, pelo tempo que nos fazem perder, numa espera longa, numa ansiedade reprimida, numa expectativa, numa capacidade de submissão aos seus ponteiros, sem que nada possamos fazer para contrariar essa conformação, na maior parte das vezes transformada em angústia crescente, sem haver notícia ou vislumbre de piedade. […]. Na casa dos meus pais havia relógios por todo o lado – até no meu quarto. Um relógio dourado, a despertar-nos com música suave, num dourado que guardo como recordação, mas que não trabalha há longos anos. […]. Em casa da minha avó Maria Estrela, o ritual era outro: na sala grande havia um relógio de parede a meio das duas janelas. Antigo, de pêndulo [...]. E a minha avó, guardiã atenta da preciosa chave do relógio. Só ela lhe dava corda. Nunca se esquecia. E eu, atenta, a olhar a chave, guardada em lugar seguro, só dela conhecido, com medo de perder-se. Nunca vi outras mãos a abrir a porta envidraçada e a dar vida ao velho relógio, no balançar do pêndulo, ora para a esquerda, ora para a direita. Sem falar nas badaladas a encher a sala e a casa toda com o sobressalto da sua voz.»

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro «Uma Estátua no Meu Coração»
Edições Vela Branca

 

publicado por sarrabal às 00:42
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